Resposta direta: A busca deixou de devolver uma lista de links. Agora ela entrega uma resposta pronta, com dois ou três nomes. Quem entra nela é escolhido por evidência pública, não por posição. Esta edição do Modo Referência mostra o que os estudos mediram e por onde a sua empresa pode começar.
Por Marcel Karling da Rosa · CEO da AN1 · 9 de setembro de 2026
Oi 👋
Quase toda tendência só é percebida depois que passou. A busca está nesse momento agora.
“Ranquear” parou de significar o que significava. E a maioria das empresas segue otimizando para a posição no Google, um número que já perdeu valor.
A lista de dez links virou uma espécie de redator. Ele lê dezenas de fontes, escolhe duas ou três e responde antes de qualquer clique. Quem fica fora dessas duas ou três não é visto.
Questione a métrica que todo mundo aceita sem olhar.
O que vem abaixo, em sete dobras curtas: 01 a lista virou resposta · 02 quanto vale a posição · 03 publicar mais · 04 o clique sumiu · 05 os falsos atalhos · 06 a metade que ninguém faz · 07 os 90 dias
Dobra 01
Como a IA monta a resposta que o seu cliente lê?
A IA não faz uma busca. Faz várias ao mesmo tempo.
O Google chama isso de query fan-out. Em linguagem simples: a pergunta do cliente vira um leque de perguntas menores. A resposta final é montada com o que aparece nesse leque.

Por que importa para você: você não disputa mais só a pergunta que o cliente digitou. Disputa perguntas menores que você nunca viu.
Fica assim
Em seis meses, as citações do AI Overview vindas do top 10 caíram de cerca de 76% para 37,9%. O dado é da Ahrefs, de jan/2026. Estar no topo virou ingresso, não prêmio.
Como a IA recupera fontes e decide quem citar
Dobra 02
Quanto vale uma posição no Google agora?
Se o Google não indexa bem a sua página, ela nem entra na disputa. Só que estar lá dentro não garante a escolha.
A Ahrefs cruzou 75 mil marcas para ver o que anda junto com ser citado pela IA.
O que correlaciona com ser citado por uma IA
0,664 · Menções de marca
0,326 · Autoridade do site (Domain Rating)
0,218 · Backlinks
Fonte: Ahrefs, estudo com 75 mil marcas. Correlação (r): quanto mais perto de 1, mais forte a ligação.
Por que importa para você: a IA lê o que se escreve sobre a sua marca. Ela não conta os links que apontam para o seu site.
Fica assim
Menção e citação são coisas diferentes. Menção baixa se resolve fora do site. Citação baixa se resolve na página. Somar as duas no relatório esconde onde está o problema.
Menção e citação: a diferença que quase todo relatório erra
Dobra 03
Publicar mais conteúdo ajuda a aparecer na IA?
Ajuda em parte. Mais trechos publicados são mais chances de ser escolhido. A conta fecha.
O problema está na qualidade de cada trecho. Um estudo acadêmico sobre GEO foi apresentado na conferência KDD em 2024. Ele mediu o efeito do texto na visibilidade dentro das respostas de IA.
O que o paper de GEO mediu (KDD 2024)
+40%
de visibilidade ao citar fonte, dado e frase de especialista
+115%
de ganho para marcas com pouca autoridade
-10%
de efeito no Perplexity ao repetir palavra-chave em excesso
Fonte: arXiv:2311.09735, KDD 2024
Por que importa para você: publicar mal não é neutro. Cada texto fraco vira evidência contra a sua marca, em escala e com calendário.
Fica assim
O ganho maior foi para marcas de autoridade baixa. Escrever com número, data e fonte no mesmo bloco custa pouco. E quase ninguém faz.
SEO, GEO e AEO na prática: o checklist do trecho citável
Dobra 04
Por que a disputa pelo cliente acontece fora do seu site?
A mudança mais cara não está no seu site. Está na caixa onde as pessoas digitam perguntas.
Três números que explicam por que a disputa acontece fora do seu site
80,9%
das citações de listas em serviços profissionais vão para listas feitas por terceiros
89%
dos acessos dos robôs de IA vão para conteúdo atualizado recentemente
68%
das buscas terminam sem clique no resultado
Fontes: Wix com dados da Peec (listas), Seer (robôs de IA) e SparkToro 2026 (buscas sem clique)
Por que importa para você: uma empresa pode manter todas as posições e ver os pedidos de proposta caírem. E o painel de métricas continua mostrando sucesso.
Fica assim
Cada IA escolhe a fonte de um jeito. O AI Overview parte do índice do Google. O ChatGPT pesa reputação e o LinkedIn, que tem 14,3% das citações segundo a Semrush. O Perplexity prefere página específica e recente.
AI Overviews, ChatGPT e Perplexity: onde começar
Dobra 05
Quais atalhos para aparecer na IA não funcionam?
Quatro promessas comuns, e por que você pode economizar nelas.
llms.txt. É um arquivo vendido como “mapa para a IA”. A Busca do Google ignora esse arquivo, segundo o guia oficial de maio de 2026.
Schema como requisito. Schema é o código de dados estruturados na página. O mesmo guia diz que ele não é requisito para a busca generativa.
Posição garantida no ChatGPT. A resposta muda a cada vez que a pergunta é feita. Não existe posição fixa. Existe a fração de vezes em que você aparece, dentro de uma faixa.
O print. Uma resposta isolada não é medição.
De onde vem o ruído na medição de marca em LLM
34,8% · Repetição do mesmo prompt
29,6% · Interação marca × contexto
26,5% · Idioma da consulta
8,6% · Marca × idioma
1,5% · Identidade da marca sozinha
Decomposição da variância por componente. Fonte: Żatuchin, “Where Does the Noise Come From? A Variance-Components Decomposition of Non-Determinism in LLM Brand Answers”, arXiv, julho de 2026
Por que importa para você: uma resposta isolada tem confiabilidade perto de 0,01. Numa escala de 0 a 1, isso é quase nada. Um teste cruzado, com modelos e idiomas variados, chega perto de 0,36.
Fica assim
Quem reporta sem declarar data, motor e prompt está reportando ruído com casa decimal. O Modo Referência registra os três em cada leitura.
Como medir presença em IA sem se enganar
Dobra 06
O que quase nenhuma empresa faz para ser citada?
80,9% das citações de lista em serviços profissionais vão para listas feitas por terceiros (Wix com dados da Peec).
Se as listas do seu setor não incluem a sua marca, você fica fora da resposta. A pergunta deixou de ser “o que publicar”. Virou “onde ser citado”.
Onde a diferença aparece
| A marca que a IA ignora | A marca que a IA cita |
|---|---|
| Só ela fala dela mesma | Aparece citada em veículos e listas de terceiros |
| Conteúdo genérico, sem número nem fonte | Dado próprio, com fonte e data declaradas |
| Páginas boas, publicadas e esquecidas | Revisão programada, com o que mudou visível |
| Descrição da empresa muda de canal para canal | Mesma definição em site, LinkedIn e imprensa |
Fonte: Metodologia AN1, com dados de Ahrefs (75 mil marcas), Semrush (89 mil URLs) e do paper de GEO do KDD 2024
O que a IA diz hoje sobre a própria AN1?
Fizemos essa leitura em nós mesmos. Em 3 de setembro, rodei as perguntas do nosso mercado no Perplexity e no AI Overview.
Em busca pelo nome da marca, aparecemos. Em “qual agência faz GEO no Brasil”, não aparecemos em nenhum dos dois. Em “agência de ABM em Porto Alegre”, o nosso território antigo, aparecemos.
Fica assim
A IA ainda nos classifica pela categoria em que terceiros nos descreveram. Foi uma execução por pergunta, num único dia: é leitura, não medição. Mas mostra em nós mesmos o problema que ajudamos clientes a resolver.
Por que a IA cita o seu concorrente e não você
Dobra 07
Como são os 90 dias do Modo Referência?
A estratégia funciona como um haltere, com peso nas duas pontas. O meio, o conteúdo competente que só fala de si mesmo, não move nenhuma métrica.
Os dois lados do Modo Referência
| Dentro do domínio | Fora do domínio |
|---|---|
| Trecho que responde sozinho, com número, data e fonte no mesmo bloco | Presença nas listas e veículos que a IA já cita no seu setor |
| H2 escrito como a pergunta real, resposta na primeira linha | LinkedIn da empresa e dos porta-vozes vivo e publicando |
| Revisão programada do acervo, com o que mudou visível | Mesma definição da empresa em site, LinkedIn, imprensa e diretórios |
| Move a citação: a IA aponta a sua página como fonte | Move a menção: a IA lembra da sua marca no tema |
| Resolve em semanas, no seu processo editorial | Resolve em meses, com relacionamento e dado próprio |
Fonte: Metodologia AN1. O meio, o conteúdo competente que só fala de si mesmo, fica fora das colunas. Ele não move nenhuma das duas métricas.
Na prática, os 90 dias se dividem em três fases. A primeira cabe na agenda desta semana.
Dias 1 a 14: medir e padronizar
Liste dez perguntas do seu cliente. Rode cada uma em dois motores de IA, com até cinco repetições. Guarde a resposta palavra por palavra, com data. E deixe a definição da empresa idêntica no site, no LinkedIn e no Google Business Profile.
Dias 15 a 45: reescrever o que já existe
Comece pelas dez páginas que já ranqueiam. Coloque a resposta nas primeiras 60 palavras. Escreva cada H2 como uma pergunta real. Faça cada bloco se sustentar sozinho.
Dias 46 a 90: sair do próprio site
Os sites que a IA citou na primeira fase viram a sua lista de alvos. Entre nas listas do setor, publique um número que só você tem e coloque porta-vozes no LinkedIn.
Fica assim
Escolha as pontas. Cada concorrente seu produz trabalho competente que ninguém cita. E vai continuar assim por pelo menos mais um ano.
Qual é o primeiro passo para a IA citar a sua empresa?
Saber o que a IA responde hoje sobre você, com prompt, motor e data declarados. Sem esse retrato, qualquer esforço é chute. É o ponto de partida do Modo Referência.
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