Resposta direta: Em 2025, o tráfego de bots chegou a 53% da internet, segundo a Thales. Parte disso é ataque, mas uma fatia crescente é IA lendo páginas para responder alguém. Na prática, o seu cliente pesquisa por meio de um robô. Quem trata esse visitante como leitor ganha a chance de ser a resposta que ele leva de volta.
É verdade que já existe mais robô do que gente na internet?
Sim, segundo duas medições públicas de peso. O Bad Bot Report 2026, da Thales (dona da Imperva), mediu o ano de 2025 na rede da empresa. O tráfego automatizado ficou em 53%, contra 51% em 2024. O humano caiu para 47%.
A Cloudflare chegou a um número parecido por outro caminho. Em julho de 2026, a empresa publicou que mais de 50% do tráfego da internet já não é humano. Duas redes diferentes, duas metodologias, a mesma direção.
Quem gerou o tráfego da internet em 2025
47% · Pessoas
40% · Bots maliciosos (fraude, raspagem, ataque)
13% · Bots benignos (buscadores, IA, monitoramento)
Fonte: Thales, 2026 Bad Bot Report, divulgado em 28/04/2026, ano de 2025, tráfego observado na rede Imperva. Bots somados: 53%. É a visão de um fornecedor de segurança, que enxerga com mais nitidez o tráfego malicioso.
Por que a IA aumentou tanto o tráfego de bots?
Porque os sistemas de IA precisam ler a web para funcionar. Eles leem em três momentos diferentes, e cada um tem efeito diferente para a sua empresa.
Para treinar o modelo. O robô copia páginas em massa para ensinar o sistema. Segundo a Cloudflare, 52% das requisições de crawlers eram para treino de IA em junho de 2026.
Para responder uma pergunta agora. Alguém pergunta ao ChatGPT, e o sistema busca páginas naquele instante para montar a resposta. Aqui o robô está a serviço de uma pessoa real, com uma dúvida real.
Para agir pelo usuário. É o agente que compara preços, preenche formulário ou lista fornecedores. Ele visita o seu site como um assistente faria.
Os três robôs de IA que visitam o seu site
| Robô | O que ele leva | O que pode voltar |
|---|---|---|
| Treino | O texto, para o modelo aprender | Pouco no curto prazo. A marca pode entrar no que o modelo sabe |
| Resposta ao vivo | O trecho que responde a pergunta de alguém | Citação, menção e às vezes um clique de quem já chega decidido |
| Agente | Dados para executar uma tarefa: preço, contato, oferta | Entrar na lista curta que o agente entrega ao comprador |
Fonte: Metodologia AN1, a partir das categorias de crawler da Cloudflare
O que isso diz sobre o comportamento do seu cliente?
Diz que a pesquisa mudou de mão. Antes, o comprador abria dez abas e lia o seu site. Agora, muitas vezes, ele pergunta a uma IA, e é ela quem abre as abas.
No Brasil, 44,9 milhões de pessoas usaram assistente de IA em dezembro de 2025. Um ano antes, eram 27,9 milhões, segundo a Retrospectiva Digital 2025 da Comscore. Cada uma dessas conversas pode gerar visitas de robô ao seu site, sem uma pessoa na página.
O efeito aparece no seu relatório. O Google Analytics filtra boa parte dos bots conhecidos. Então a pesquisa que a IA fez pelo seu cliente não vira sessão. Você vê menos visitas e conclui que menos gente se interessou. Pode ser o contrário: o interesse existiu, só que passou por uma máquina.
O robô que lê o seu site hoje pode estar pesquisando por um cliente que o relatório nunca vai mostrar.
Onde o tráfego de bots entra no GEO e no AEO?
O GEO trabalha para a sua marca ser citada nas respostas geradas por IA. O AEO trabalha para o seu conteúdo virar a resposta direta de uma pergunta. Os dois dependem do robô que lê a página antes da resposta. Se ele não consegue ler, não existe citação. Se as siglas ainda confundem, veja o que cada uma quer dizer.
Então todo robô é bem-vindo?
Não, e aqui vai a ressalva honesta. Pela Thales, 40% de todo o tráfego de 2025 veio de bots maliciosos. Esses você bloqueia, sem discussão.
Mesmo entre os robôs de IA legítimos, a troca é desigual. A Cloudflare mediu quantas requisições de robô cada empresa faz para cada visita que devolve. Em julho de 2025, a OpenAI fazia cerca de 1.091 requisições por visita enviada. A Perplexity, cerca de 195. O Google ainda responde por cerca de 88% do tráfego de indicação, diz a Cloudflare em julho de 2026.
Ou seja, não espere que o robô de IA traga visitas como o Google trouxe. O ganho dele é outro: a menção dentro da resposta. Como mostramos no post sobre featured snippet ou citação em IA, o clique está ficando mais raro. A presença na resposta passa a ser o ativo.
Por onde começar esta semana?
Os passos abaixo cabem no time atual, sem orçamento novo.
Descubra quem já visita o seu site
Peça ao time técnico o relatório de robôs do servidor ou do CDN. Separe os de IA dos demais, pelo nome de cada um.
Decida com regra, não no susto
Bloqueie o malicioso. Para os de IA, escolha robô por robô no robots.txt. Bloquear o que responde ao vivo tira você da resposta.
Escreva para quem lê por outra pessoa
Deixe preço, serviço, cidade e diferencial em texto claro, perto do topo. É o que o robô copia para a resposta.
Meça a resposta, não só a visita
Faça o teste de menção: a pergunta do seu cliente, sete vezes, em sessões novas. É ali que o robô entrega o resultado do trabalho dele.
O que mais perguntam sobre tráfego de bots?
Bot de IA atrapalha o meu site?
Pode pesar no servidor quando rastreia em excesso. Na maioria dos sites de empresa, o custo é pequeno perto do valor de aparecer na resposta. Se pesar, limite a frequência em vez de bloquear tudo.
Se o robô lê o meu site, por que a IA não me cita?
Ler não é escolher. A IA cruza várias fontes antes de responder, e o seu site é só uma delas. O post sobre o site próprio como metade do caminho mostra o que falta.
Dá para saber quantos clientes vieram por uma IA?
Só em parte. Quem clica no link da resposta aparece como indicação. Quem lê a resposta e digita o seu nome depois aparece como acesso direto ou busca de marca. Por isso a medição da resposta completa a do site.
O que você ganha olhando para esse visitante?
Você para de ler queda de visitas como queda de interesse. E prepara o site para o leitor que mais cresce: o robô que pesquisa por um comprador real. Se quiser entender como a AN1 mede e trabalha essa presença, conheça o Modo Referência.
Modo Referência
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